Uma de minhas atribuições é ouvir as pessoas. Isso acontece pessoalmente, por e-mails, por telefone, enfim, de várias formas. As pessoas querem ser ouvidas e procuram compartilhar suas lutas, buscando orientações em como vencer ou sair de tais lutas.

 

Uma coisa, porém, que fica bem clara, quando ouço as pessoas, é a dificuldade que elas têm de assumir suas culpas diante daquilo que não deu certo. Isso, na verdade, acontece desde a fundação do mundo. Quando Deus questionou Adão sobre o porquê de ele ter desobedecido e comido do fruto que não deveria comer, respondeu que a mulher que Deus lhe havia dado é que o levou a comer; quando Deus questionou Eva, ela disse que foi enganada pela serpente. Ou seja, nenhum dos dois assumiu a culpa. E, se prestarmos atenção, vamos entender que de forma indireta Adão culpou Deus, pois ele disse: “a mulher que Tu me deste…”. E assim continua nos dias de hoje. É raro alguém assumir sua culpa.

 

Conta-se que, em certa ocasião, um juiz fez uma visita a um presídio e lá se pôs a interpelar os detentos sobre o motivo de estarem ali. Cada um ia se defendendo, dizendo que nem sabia por que estava ali, pois nunca havia feito nada de errado. Mas, curiosamente, um dos prisioneiros respondeu: “Bem, eu estou aqui porque cometi um crime contra a sociedade e entendo que estou pagando pelo meu erro, e não quero nunca mais errar, pois não quero voltar pra cá de jeito nenhum”. Naquele momento, o juiz disse: “Podem soltar esse homem; ele já está pronto para viver em sociedade novamente, pois reconheceu sua culpa e está arrependido”. Esse é um fato raro, pois geralmente as pessoas não assumem suas culpas e, quando o fazem, acabam sempre tentando encontrar uma justificativa para seus erros.

 

O grande problema é que sem esse reconhecimento das falhas, haverá dificuldades em acertar, em recomeçar, pois a base para todo conserto é aceitar o fato de que errou e saber onde errou, para não deixar que isso volte a acontecer. Vemos pessoas que saem de um relacionamento desastroso – às vezes por culpa própria – e começam outro relacionamento sem ter assumido os erros do primeiro. Resultado: decepção de novo. E assim acontece em outras áreas da vida. Se a pessoa não assumir suas culpas e, então, perceber que precisa mudar, não vai conseguir arrumar a vida, pois os erros se repetirão, outras pessoas ficarão magoadas e a vida não vai fluir como deveria.

 

Possivelmente um dos motivos para isso é que muitos acreditam que admitir erros seja sinal de fraqueza. Ledo engano. Na verdade, é sinal de força, de caráter, de personalidade, de hombridade. Realmente não é fácil admitir, pois temos uma cultura contrária a isso; mas, com certeza, é o alicerce para uma nova construção. Na Bíblia Sagrada encontramos a parábola do filho pródigo, a respeito de um jovem que resolveu pegar sua parte na herança do pai, sair de casa e ganhar o mundo. Porém, perdeu tudo o que tinha e quando estava passando fome, disse: “Vou voltar para casa do pai e direi: Pai! Pequei perante o céu e perante ti…”. O pai o recebeu e deu uma grande festa para comemorar a sua volta. Entre tantas lições que temos nessa história, uma das mais importantes foi o reconhecimento de culpa que esse jovem teve, dando a possibilidade de recomeço.

 

Convido você a pensar e repensar a sua vida: será que não está na hora de admitir certas falhas, para então poder recomeçar?

 

Um forte e abraço e até a próxima, se Deus disser que sim.

 

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